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CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA
SOBRE A CIRURGIA

O QUE É?

A cirurgia da obesidade ou cirurgia bariátrica, é um método seguro e eficaz para o tratamento da obesidade e deve obedecer alguns critérios para ser indicada. Realizada com técnicas minimamente invasivas, pequenos cortes que variam de 0,5 até 1,2cm, o paciente permanece pouco tempo no hospital e retorna precocemente à sua rotina. A operação é apenas parte de um tratamento e deve-se obedecer rigorosamente às recomendações da equipe multidisciplinar em qualquer uma das etapas do tratamento para que se atinjam os resultados desejados.

Além disso, é fundamental o bom entendimento da cirurgia e da necessidade de acompanhamento com a equipe por toda a vida. Algumas condições clínicas podem contraindicar a cirurgia como abuso de drogas e álcool, problemas emocionais e psicológicos não tratados ou outras doenças que possam trazer mais riscos do que benefícios ao paciente.

O QUE PRECISO FAZER
ANTES DA CIRURGIA
BARIÁTRICA E METABÓLICA?

Existem alguns passos que devem ser seguidos e são indispensáveis no preparo para a cirurgia.

A consulta inicial é feita com o cirurgião, que fará uma entrevista minuciosa e definirá junto com o paciente o tipo de tratamento que será proposto. Já na primeira consulta, é realizado um exame de bioimpedância no consultório para avaliar a quantidade de gordura no corpo. Em seguida o paciente será acolhido pela equipe multidisciplinar (clínico, nutricionista, psiquiatra/psicóloga), fisioterapeuta, anestesista, enfermeira) com o objetivo de prepará-lo para o procedimento cirúrgico e ao mesmo tempo identificar possíveis alterações clínicas que necessitam ser tratadas antes da cirurgia.

Também nesta fase são realizados alguns exames:


  • EXAMES LABORATORIAIS
    (Sangue e Urina)

  • ECOGRAFIA
    ABDOMINAL

  • ENDOSCOPIA
    DIGESTIVA ALTA

  • OUTROS EXAMES
    (Conforme Indicação)

O QUE PRECISO FAZER
DEPOIS DA CIRURGIA
BARIÁTRICA E METABÓLICA?

Durante a internação hospitalar, logo após o procedimento cirúrgico o paciente já começa a ingerir água em volumes bem pequenos e é orientado a sair da cama e caminhar precocemente. Nos dias seguintes vão sendo introduzidos líquidos (suco, sopa coada, leite) e permanece assim até 10 dias; após esse período inicia-se com a dieta pastosa até 30 dias, quando a pessoa começa a comer os alimentos na consistência normal, de forma lenta e bem mastigada.

O acompanhamento pós-operatório deve ser seguido com a equipe multidisciplinar por toda vida. A monitorização das vitaminas e nutrientes são feitas através de exames de sangue, que são realizados periodicamente. Também, a bioimpedância é realizada em vários momentos no pós-operatório para o acompanhamento da perda de massa de gordura e o ganho ou preservação de massa muscular.

Após 30 dias, a maioria das pessoas está apta para a realização de atividade física e é recomendada após avaliação com especialista (fisioterapeuta/educador físico), que irá considerar as particularidades e limitações de cada indivíduo. Também se inicia nessa fase a suplementação vitamínica, que deve ser mantida para o resto da vida.

A perda de peso é gradual e depende de inúmeros fatores entre eles a disciplina, o comprometimento e a persistência. Não existe uma regra ou uma meta de emagrecimento; o objetivo primário da cirurgia é a melhora da qualidade de vida, das doenças associadas à obesidade e do bem-estar.

QUAIS SÃO AS TÉCNICAS MAIS UTILIZADAS NA
CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA?

As técnicas mais realizadas para cirurgia bariátrica são o Bypass Gástrico e a Gastrectomia Vertical (Sleeve). Ambas são regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e podem ser indicadas dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Existem outras técnicas que foram regulamentadas recentemente pelo Conselho Federal de Medicina (duodenal switch com gastrectomia vertical, bypass com anastomose única, gastrectomia com bipartição intestinal), mas necessitam mais estudos sobre os efeitos dessas cirurgias a longo prazo.

BYAPASS
GÁSTRICO


Outras Denominações:
Redução do Estômago, Cirurgia de Fobi-Capella, Gastroplastia em Y-de-Roux

É a técnica mais realizada no Brasil, correspondendo a 70% das cirurgias, devido a sua segurança e, principalmente, sua eficácia.

TÉCNICA
É realizado o grampeamento da parte superior do estômago, criando um novo estômago de 30-50ml e também é feito um desvio do intestino inicial. É um procedimento misto que promove a diminuição da entrada de alimento e de sua absorção; além disso, estimula a produção de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome.

VANTAGENS
Segura e muito eficaz, promovendo uma perda de excesso de peso de 70-80% e um controle das doenças associadas, como diabetes e pressão alta, em mais de 80% dos pacientes. É uma técnica reversível, na medida em que não é removida nenhuma parte do estômago ou intestino.

DESVANTAGENS
Necessita suplementação de vitaminas e minerais por toda a vida. Alguns alimentos que contenham muito açúcar ou gordura podem causar algum desconforto ou mal-estar (dumping).

GASTRECTOMIA
VERTICAL


Outras Denominações:
Sleeve Gastrectomy, Manga Gástrica

É a técnica mais realizada nos Estados Unidos e vários países da Europa.

TÉCNICA
É realizado um corte longitudinal no estomago, removendo mais de 80% do seu volume, reduzindo seu volume para 100-150 ml. Na parte que é removida encontra-se uma substância chamada grelina que é uma das responsáveis pelo mecanismo de fome e saciedade.

VANTAGENS
Segura e eficaz. Apresenta menor risco de desnutrição, embora seja recomendada a suplementação de vitaminas e minerais. Promove uma perda de excesso de peso de 60-70%.

DESVANTAGENS
É uma técnica irreversível, e oferece resultados inferiores na perda de peso a longo prazo comparada ao bypass gástrico. Pode piorar ou promover sintomas de refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago e queimação.

RESOLUÇÃO
CFM Nº 2.429/2025

Critérios Principais por IMC.

  • IMC ≥ 40 kg/m² (Obesidade Classe 3)
    Indicação plena, independentemente da presença de comorbidades.
  • IMC entre 35 e 39,9 kg/m² (Obesidade Classe 2)
    Indicada quando associada a pelo menos uma comorbidade agravada pela obesidade e que melhora com a perda de peso, como:
    • Hipertensão arterial sistêmica;
    • Diabetes mellitus tipo 2;
    • Apneia obstrutiva do sono;
    • Doença articular;
    • Colesterol alto (dislipidemia);
    • Gordura no fígado (esteatose hepática).
  • IMC entre 30 e 34,9 kg/m² (Obesidade Classe 1)
    Pode ser considerada na presença de pelo menos uma das comorbidades específicas abaixo:
    • Diabetes mellitus tipo 2 (principal indicação);
    • Doença cardiovascular grave com lesão em órgão alvo;
    • Doença renal crônica precoce em portadores de diabetes tipo 2;
    • Apneia obstrutiva do sono grave;
    • Doença gordurosa hepática não alcoólica com fibrose;
    • Outras afecções reconhecidamente agravadas pelo excesso de peso e que apresentam melhora comprovada com a perda ponderal.

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